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24 August, 2012

Passatempo

Duas mulheres no século XV. Uma da escola flamenga, outra da italiana. Descubra as diferenças.


14 August, 2012

D. Piedade

Love me. Há qualquer coisa nas pinturas da Rita Melo, não há? (mais aqui)

13 July, 2012

Emancipada

As adolescentes tornaram-se mimadas e as mulheres começaram a sua emancipação no dia em que esta rapariga desconhecida pôs o seu pesado hennin (ou chapéu-campânula) e compareceu no estúdio de Petrus Christus, pintor flamengo. Talvez estivesse em Bruges para assistir ao casamento do século. Talvez não. Não se sabe. Petrus esperava-a para um retrato contido e ela prendeu o cabelo, amordaçou o queixo, deixou os braços amorfos. E, embora se fale muito da petulância do olhar, para mim é mesmo o beicinho nos lábios que faz a diferença. 

06 July, 2012

Verão

A versão delico-doce das noites quentes com Summer Evening de Daniel Ridgway Knight.

04 July, 2012

Ilustrações

Que lindas as ilustrações de Becca Stadlander. Perfeitas para um livro infantil.





01 May, 2012

Ofélia

Esta é Ofélia, personagem de Hamlet, aqui retratada cantando, no momento em que se afogava. Durante cinco meses em 1851 John Everett Millais passou onze horas por dia, seis dias por semana, a pintar a paisagem deste quadro. Mais tarde, a modelo Elizabeth Siddal de 19 anos deitou-se, completamente vestida, numa banheira do estúdio do pintor em pleno Inverno, para que ele a pintasse. Apanhou uma forte constipação e o seu pai enviou a Millais uma conta de £50 para cobrir despesas médicas. Hoje estima-se o valor do quadro em £30 milhões.

28 April, 2012

Bocca Baciata

Eu não posso falar de Bocca Baciata (1859) sem falar de Fanny Cornforth, que por sua vez exige referência a Dante Gabiel Rossetti, um dos fundadores do movimento pré-rafaelita na Inglaterra do século XIX. Porque a modelo de Bocca Baciatta é precisamente Fanny, que era empregada/governanta de Rossetti, com quem vivia também uma relação amorosa paralela a outros relacionamentos do artista. Rossetti teve outras duas importantes modelos: uma foi sua mulher, outra era mulher de um amigo seu, mas diz-se que Fanny foi a que pintou mais provocadora e sensual. A dada altura, porque ela ganhou peso, ele chamava-lhe "my dear elephant" e mandava-lhe desenhos de elefantes quando estavam longe um do outro. Por seu turno, o nome carinhoso que ela dava a Rossetti era "rinoceronte".


24 April, 2012

17 April, 2012

No ar

There is to my mind something fundamentally ironical about having a group of pretty hefty objects floating around in the ether as though not only do they have no care in the world but they have no weight in the world and I think the ability to do that is so delightful I just can’t help myself. (Harry Holland)

07 April, 2012

Ovos e coelhos

Antes dos ovos e dos coelhos, a Páscoa era dos judeus. Depois foi dos cristãos. Quando vejo estas representações penso quão criativos eram os artistas medievais, inventando toda uma iconografia e imaginando o que nunca viram e que pertence ao sobrenatural. Inteiros episódios bíblicos traduzidos em traços, cores e pormenores concretos e completamente originais. Porque são quase inexistentes as descrições nos textos sagrados, cabia ao artista a recriação das cenas, tendo por base em muitos casos unicamente a sua imaginação. Nesta imagem, por exemplo, Fra Angelico deu cara às quatro mulheres que se diz terem encontrado o sepulcro vazio, imaginou as feições de um anjo e a figura de Jesus. De tal forma, que séculos depois, reconhecemos a cena sem legendas ou explicações.

03 April, 2012

Escândalo

Descubra as diferenças:
Quadro 01: Vénus dorme, diz Giorgione em 1510. 
Quadro 02: Vénus está acordada, diz Tiziano - que também tinha trabalhado no quadro anterior - em 1538.
Quadro 03: Vénus já não é Vénus, mas sim uma cortesã que causa escândalo nos salões de Paris do século XIX, diz ManetA imitação é o melhor elogio. 


21 March, 2012

O Vocalista

Albrecht  Dürer tinha tanto de talento como de vaidade. Era brilhante na pintura, escreveu tratados de matemática, tinha preocupações filosóficas. Sentia-se com certeza orgulhoso do seu sucesso precoce e tinha necessidade de o mostrar ao mundo. Como não tinha outdoors, programas de televisão e jornais à disposição, usou outro meio eficaz de promoção: o auto-retrato. Foi dos primeiros pintores europeus a fazê-lo e, provavelmente, o mais profícuo neste género. Calcula-se que terá pintado doze auto-retratos. Neles aparece ricamente vestido, exibindo através da sua roupa o seu sucesso e estatuto - os artistas começavam então a ganhar o prestígio que gozariam nos séculos seguintes. Neste auto-retrato, que é também o último, representa-se como Jesus Cristo, sublinhando o carácter divino do seu talento. Tinha apenas 28 anos. Se  Dürer vivesse hoje seria o mais fascinante vocalista de uma banda rock: egocêntrico e genial.

15 March, 2012

Italians Do It Better*

Estas imagens chegaram até mim através de uma leitora deste blog (muito obrigada!) e entretanto explodiram na internet e estão por todo o lado. São fotografias de tinta na água. E conseguem superar estas que são do mesmo autor: o italiano Alberto Seveso.
(* aqui)

Segundo lugar

Matisse, que estudou direito e trabalhou depois num escritório de advogados, descobriu a sua verdadeira vocação aos 20 anos enquanto recuperava de uma apendicite. Vou sempre gostar mais da pintura, conta-se que disse à sua mulher antes de casarem. Ela parece ter compreendido. E aqui está ela, Amélie Noellie Parayre Matisse, pintada pelo seu ilustre marido em 1907.
(Madras Rouge, Henri Matisse)

14 March, 2012

Árvores

Alguém se lembrou de fazer isto às árvores. Encontrado aqui.

10 March, 2012

A expulsão

Aqui está Agar a ser expulsa da casa de Abraão, depois de Sara ter dito ao marido: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com o meu filho, com Isaac (Gen. 21:10). O "filho desta serva" quase morreu no deserto com a sua mãe e foi miraculosamente salvo. Chamava-se Ismael e os muçulmanos têm-no como antepassado de Maomé. 
Duas curiosas interpretações pictóricas deste episódio (ambas do século XVII):
1. Na primeira, Rubens escolhe não incluir Ismael na cena, optando por representar Agar ainda grávida. É significativa a diferença de vestes nas duas mulheres: Sara está ricamente trajada, enquanto o vestido de Agar é mais simples, mas de cor vermelha. (Hagar leaves the House of Abraham, 1615)
2. Na segunda, Claude Lorrain dá relevo à paisagem em detrimento das figuras humanas. Agar enfrenta o espaço aberto, o desconhecido. Contudo, pode ver-se que se move simbolicamente da sombra para a claridade. Em cima na varanda, no ponto mais escuro do quadro, Sara assiste à cena. (The Expulsion of Hagar, 1668)

07 March, 2012

Do surreal

Deve ser interessante conversar com a Nancy Fouts, autora destas esculturas. Efeitos obtidos sem a ajuda de photoshop. Pois é.

06 March, 2012

A louca

Eu estou há muito tempo para escrever sobre Joana I de Castela ou Joana, a Louca - como passou à história - sem dúvida a personagem histórica que mais me fascinou na minha infância. Nos tempos pré-google, eu ia à enciclopédia procurá-la no meio das rainhas e princesas com o mesmo primeiro nome. Mas aquele cognome distinguia-a de todas as outras. Na enciclopédia não havia retrato e eu imaginava uma rainha despenteada e excessiva. Não era bem assim. Joana foi casada com Filipe, o Belo - e aqui tropeçamos noutro cognome de peso. Apesar de ser formosa e educada (fluente em várias línguas, treinada na dança, na música e equitação) o marido cedo perdeu o interesse nela. E Joana era ciumenta. A sua instabilidade mental agravou-se e gerou o seu isolamento e afastamento do poder. E foi também muito conveniente ao seu pai, marido e filho que governaram em seu nome. Aqui está ela com toda a sua loucura domesticada debaixo do toucado.
(Retrato pintado por Juan de Flandes cerca de 1496)




21 February, 2012

A Bela Simonetta

Diz-se que nos retratos femininos os mestres renascentistas não buscavam a fidelidade dos traços dos seus modelos, mas sim a criação de uma imagem idealizada de beleza. Assim, nunca nunca poderemos conhecer com rigor o rosto de Simonetta Vespucci, que foi uma espécie de Pattie Boyd do seu tempo, inspirando os artistas seus contemporâneos. A sua beleza lendária deslumbrou Florença no séc. XV e a morte prematura aos 22 anos vítima de tuberculose elevou-a ao estatuto de ícone. Há quem defenda que a sua figura serviu de inspiração a este famoso quadro pintado nove anos após a sua morte. Aqui está ela, noutra representação, também do atelier de Sandro Botticelli.

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