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18 February, 2012

Sentido de Humor

Doug Webb é um hiper-realista cheio de sentido de humor. De cima para baixo: Virtue and Vice, The Wedding Cake, Quick Fix, The Stimulus Package. (mais aqui)

15 February, 2012

Sobre o Tempo e o Espaço

O sedentarismo trouxe à espécie humana a clarificação de papéis. A vida do homem decorria em dois espaços: o doméstico e o exterior. Por contraste, o espaço das mulheres era uno e contínuo. Ou seja, a casa era simultaneamente o seu lugar privado e o local de trabalho. Desde cedo se verificou essa sobreposição de esferas da sua vida. Mas, o tempo também era diferente consoante o género. O tempo dos homens era organizado e finito. As suas tarefas tendiam para um objectivo, mediam-se pela sua finalidade. E sair de casa para as cumprir era romper com o ritmo cíclico da domesticidade. Era ganhar um espaço de evasão e de fuga. Por oposição, o tempo feminino era confinado e biológico. Não havida propriamente um início das tarefas ou o seu fim, porque estas se sobrepunham de manhã à noite. É isto, a propósito desse grande acontecimento que foi as mulheres terem começado a trabalhar massivamente fora de casa algures no século passado. (E não, este não é um post feminista)
(Quadro de John William Godward, 1920)

08 February, 2012

Quiz

Quatro quadros de jardins. Descubra o pintor americano no meio dos franceses.
(Resposta certa é o quadro 2, pintado pelo americano Childe Hassam. Infelizmente não há prémios, mas imaginem ruído ensurdecedor de palmas caso tenham acertado. Podem até fazer um pequeno discurso de agradecimento. Resultou?)

07 February, 2012

Sobre o amarelo

Hoje gostava apenas de dizer que, na pintura medieval e renascentista, o amarelo representa muitas vezes o mal e que tal simbologia cromática era necessária para que a mensagem fosse compreendida pelas populações ainda maioritariamente iletradas. Daí que seja essa a cor do manto de Judas em tantos quadros desse período. Este foi pintado por Cornelis Engebrechtsz em 1500. (Atrás, de azul, está a figura de S. Pedro, não propriamente a dar a outra face. Vamos dizer que foi legítima defesa.)

01 February, 2012

Os filhos favoritos

A questão do favoritismo começa, pelos vistos, nas próprias famílias onde aparentemente não somos todos iguais. Como, por exemplo, no episódio bíblico de Jacob que, por ter a preferência de sua mãe, recebeu a benção que pertencia por direito ao seu irmão gémeo Esaú (Genesis 27:2-13). Em baixo, Rebeca (a sua mãe) e Isaac (o seu pai) por altura do seu casamento, muito antes destas polémicas, imaginados por Rembrandt (The Jewish Bride, 1667)


26 January, 2012

Margareta

Esta é  Margareta van Eyck , mulher de Jan, que a pintou quando ela tinha 33 anos. Retratar a esposa era pouco usual no século XV e por isso o quadro é considerado uma prova de amor conjugal. Verdade, pelo menos é o que dizem. Margareta já madura e pouco atraente (se bem que com um magnífico toucado) seria, afinal, a doce e dedicada companheira de um dos grandes pintores flamengos. Toda a sua figura respira austeridade: não há brincos, nem colares, nem enfeites no vestido. Só um magnífico toucado. Mas isso eu já tinha dito.

17 January, 2012

Sabática

Todas as profissões deveriam ter direito a uma licença sabática.

(Quadro: Under The Blossom That Hangs On The Bough pintado em 1917 por John William Godward)

08 January, 2012

06 January, 2012

Passeio Matinal

Passeio matinal pelo site da galeria de arte nova-iorquina Bernarducci Meisel, paraíso hiper-realista. Em baixo, quadros de Charles Jarboe (óleo sobre tela).

03 January, 2012

Maria #2

Muito se fala da futilidade da sociedade actual, de como só ligamos à aparência e ao aspecto exterior, da pressão moderna para as mulheres serem atraentes e magras. A minha pergunta é: olhando historicamente para as representações religiosas, alguma vez viram uma Nossa Senhora feia? Pois. A estética tem muito que se lhe diga.
(Em baixo, uma Virgem Maria top-model em Madonna in the Rose Bower (1448) de Stefan Lochner).

Maria

Em jeito de provocação, judeus e muçulmanos gostam por vezes de duvidar do carácter monoteísta do cristianismo, por causa da questão da Santíssima Trindade. Porque se Deus é um, então como pode ser três? O tema torna-se mais evidente quando se fala do catolicismo, que se desdobra em santos e onde o culto mariano assume enorme relevância. Grosseiramente, esta estrutura quase lembra a dos panteões pagãos, onde um deus superior presidia a uma hierarquia de divindades com atributos diversos.
E, ainda a propósito da importância de Maria, é interessante notar que a pluralidade de Nossas Senhoras existentes em Portugal (e noutros países latinos) é, no fundo, uma mera substituição formal da devoção a divindades femininas pagãs pré-existentes nesses locais. The Book of Genesis is a male declaration of independence from the ancient mother-cults, escreve Camille Paglia. Pelos vistos não totalmente bem-sucedida.
(Em baixo uma lindíssima Anunciação pintada no século XV por Robert Campin).

22 December, 2011

O Casal Arnolfini

Com certeza, com certeza, não se sabe exactamente quem era o casal deste retrato. Supõe-se que seria o mercador italiano Giovanni Arnolfini e uma das suas mulheres. Também não se sabe se, na altura em que foi pintado, ela estaria viva ou morta.  Ou mesmo se estaria realmente grávida como parece aos nossos olhos contemporâneos: poderia ser uma questão de moda, de ostentação ou até o expressar de um desejo de fertilidade futura. Há quem defenda que o quadro é uma homenagem póstuma à esposa, outros acreditam ser a celebração de um contrato de casamento. Eu como me inclino para a tragédia, defendo a primeira. Foi pintado em Bruges, no quarto do casal e o pintor Jan van Eyck assinou-o visivelmente (entre o espelho e o candeeiro) com um expressivo: Johannes de eyck fuit hic 1434 (Johannes de eyck esteve aqui 1434). No mesmo espelho, vê-se reflectido o próprio pintor numa antevisão do que seria (tcha-nan!) o famoso quadro de Velázquez, As Meninas.
(Suspiro). Que bonito.

14 December, 2011

A Lebre

Albrecht Durer* era uma espécie de rock star do seu tempo. E o seu tempo era o século XV e XVI. Foi pintor, gravador, ilustrador e matemático brilhante. E, de acordo com os seus numerosos auto-retratos, era também um rapaz bem parecido (ora façam lá uma pesquisa no google). Viajou e trabalhou intensivamente. Hoje é considerado o expoente máximo da Renascença do norte da Europa. Aqui está ele, exibindo o seu talento retratando uma simples lebre.
(* falta um trema no "u".)

09 December, 2011

A Gola da Marquesa

A Marquesa Brigida Spinola Doria deveria ser uma mulher feliz, embora não inteiramente confortável. Aqui está ela, na flor da idade, pintada por Peter Paul Rubens em 1606, um ano após o seu casamento. Está trajada à espanhola, com um vestido de cetim bordado a prata e ouro. Olho para ela e penso no alívio que deveria ser à noite poder tirar aquelas golas que emolduravam o pescoço. Será que ali em pé, enquanto posava para o quadro, era nisso que ela pensava?
O retrato foi feito em Génova, um dos centros económicos mais importantes da época e paradiso delle donne (paraíso das mulheres), durante uma das estadias do pintor em Itália (embora a Itália ainda não existisse tecnicamente como país). Nele Rubens consegue equilibrar a atenção ao detalhe tipica do estilo flamengo, com pinceladas grossas que marcavam a arte veneziana.

05 December, 2011

Hiper

Breakfast at the Fairmont de Bertrand Meniel. Óleo sobre tela. (para ver maior clicar aqui)

29 November, 2011

Lilith

Em Caim, José Saramago recupera a figura de Lilith fazendo-a mulher de Caim quando este foge para a terra de Nod, depois de ter morto Abel. Em termos religiosos a figura de Lilith é contraditória e misteriosa. Por exemplo, de acordo com antigas tradições judaicas, Lilith foi a primeira mulher de Adão, criada ao mesmo tempo e da mesma forma que o homem (ao contrário de Eva, cuja criação é posterior à de Adão e que surge da tal costela). No século XIII, o Rabi Isaac ben Jacob ha-Cohen defende que Lilith abandona Adão e o Jardim do Éden por se recusar submeter-se a ele. Podem ler mais aqui. (Em baixo Lilith imaginada pelo pintor John Collier)

24 November, 2011

O penteado de Giovanna

Este é o famoso Retrato de Giovanna Tornabuoni pintado em 1488 pelo artista renascentista Domenico Ghirlandaio. Giovanna pertencia a uma das melhores famílias florentinas e morreu durante o parto no ano em que o quadro foi executado. Aqui aparece idealizada como ícone de beleza e ricamente vestida. Ars utinam mores animumque effigere posses pulchrior in terris nulla tabella foret, lê-se atrás em latim (em traços gerais: se a arte pudesse retratar o espírito, não haveria quadro mais belo na Terra). Ghirlandaio pintou-a noutras ocasiões sempre ostentando este lindo penteado.

22 November, 2011

Bolo Rei

Aproxima-se a época das festas. (Luigi Benedicenti, Panettone, óleo sobre tela)

17 November, 2011

O Fruto Proibido

Concordo com Harold Bloom quando diz que, literariamente, os textos do Novo Testamento não se comparam à riqueza e magnificência dos livros que compõem o Antigo Testamento, cuja monumentalidade advém também da dimensão temporal que abarcam e das muitas histórias que contam. Como o episódio que relata a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden, na sequência de uma dentada num fruto da árvore da vida. O episódio tanto fascinou os primeiros exegetas que nele trabalharam, que hoje é quase impossível distinguir o texto sagrado da sua própria interpretação. Por exemplo, todos diriamos que o tal fruto é uma maçã, embora não haja qualquer referência bíblica a maçãs no episódio do Génesis. Ou seja, na realidade não se sabe qual seria o fruto da árvore.
(Aqui uma das minhas representações preferidas do momento da expulsão do Jardim do Éden, recriado por Thomas Cole em 1828)
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