Uma das grandes surpresas da idade adulta foi ter-me descoberto tão conservadora. Eu pensava-me aventureira e liberal, mas na verdade não sou nada disso. Por exemplo, eu adoro rotina. Gosto tanto da rotina, de fazer sempre a mesma coisa, que as férias me parecem uma interrupção desnecessária na doçura do rame-rame quotidiano (bolas, que bonito). Eu gosto de ter os mesmos amigos há anos, de frequentar os mesmos sítios, de ouvir as mesmas músicas, de ler os mesmos livros. Daí que ande outra vez a ler a colectânea de contos Laços de Família da Clarice Lispector. Eu sei, que aborrecido, já escrevi sobre ela centenas de vezes. Mas, "Amor" é dos mais belos textos que alguma vez li e volto sempre a ele. É uma rotina, lá está. Nele, Clarice escreve: Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Desde então sempre que penso em crianças repito estes três adjectivos - bons, verdadeiros e sumarentos. E mais à frente outra frase: Ah! era mais fácil ser santo que uma pessoa!É isso mesmo. Tão certeiro que podia ser um epitáfio.
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15 August, 2012
Rotina
06 July, 2012
Amanhã
29 June, 2012
O Que Me Faz Feliz
Amigos, porque as coisas boas acontecem, vai sair "O Que Me Faz Feliz", que eu escrevi e a Margarida Teixeira ilustrou. Aqui está o convite para o lançamento, que não é bem um lançamento. É uma festa ao ar livre, com lanche e actividades para crianças. Parece divertido, não é? (eu não estudei marketing, isto é o melhor que consigo fazer para vos convencer). Gostava muito que viessem. Mesmo.
14 April, 2012
Boião de Cultura
Vocês raramente me viram muito entusiasmada. Arrisco-me a dizer que nunca me viram tão entusiasmada como hoje, que descobri os maravilhosos cursos online da Yale University. É isso mesmo. Podemos frequentar via youtube cadeiras leccionadas em Yale. Que bom. Eu “ando” em The Early Middle Ages e New Testament History and Literature (a.k.a. cocktail party tips). A universidade é mesmo isto – e a propósito de universidade leiam este discurso magnífico da Camille Paglia sobre o mundo académico feito há mais de vinte anos. E sim, eu sei que sou uma nerd. Mas tento ser uma nerd com sentido de humor.
10 April, 2012
A Incrível Máquina de Café Intravenosa
Vocês sabem lá o que me custa levantar da cama de manhã. É porque me deitei tarde? É porque tenho a tensão baixa? É porque sou preguiçosa? Não sei. Este é, juntamente com a minha tendência para ficar com esferográficas alheias, um dos grandes mistérios da minha existência. De tal forma que hoje, algures entre as 7 e as 7:30h quando lutava para me levantar, só sonhava com uma máquina de café intravenosa. Uma máquina que pusesse cafeína no meu sangue e me permitisse sair da cama fresca e bem-disposta, como se acabasse de tomar dois expressos. Duplos. O grande, o enorme, o genial João Pedro da Costa não só compreendeu, como tornou o meu sonho realidade. Ora vejam a maravilha de desenho que ele fez. Agora é só mesmo encontrar uma marca com visão para comercializar esta incrível invenção. (Mais coisas fixes do João Pedro aqui)
09 April, 2012
Trabalhos de Casa
No mundo ideal as crianças sairiam da escola às quatro da tarde e vinham para casa com os pais. Os pais ajudavam nos trabalhos de casa, as crianças tinham tempo de brincadeira e jantava-se às oito, para ir para a cama cedo e garantir as tais onze horas de sono, necessárias para a saúde e bem-estar dos putos. No mundo real as coisas não são assim. E é por isso que, regra geral, não sou a favor dos trabalhos de casa.
02 April, 2012
Quando a mãe era pequena
Esta é a capa do livro infantil que escrevi e que a Margarida Teixeira ilustrou. Porque as coisas fixes acontecem, ele vai ser publicado. Estou mesmo muito contente. Sai em Abril e, oportunamente, deixarei aqui o convite para o lançamento.
22 March, 2012
Coerência
Tenho tantas dúvidas sobre a coerência. Por exemplo, porque é que a coerência é uma qualidade? As pessoas coerentes pensam realmente sobre os assuntos ou a chave da sua coerência é o facto de não reflectirem sobre nada? As pessoas coerentes, quando verificam que já não pensam da mesma forma, mantém a sua nova opinião secreta para que possam continuar aparentar serem coerentes? Como é que fazem as pessoas coerentes para não se deixarem convencer pelas opiniões alheias quando estas são bem fundamentadas? As pessoas coerentes ouvem mesmo o que os outros dizem ou simplesmente fingem ouvi-los? Quantas mudanças de posição são permitidas até deixarmos de considerar uma pessoa coerente e passarmos a considerá-la um vira-casaca? Porque é que a falta de coerência está aliada ao excesso de juventude? Porque é que as pessoas se gabam de serem coerentes durante uma vida inteira, mas raramente de terem mudado de opinião? (As minhas desculpas pela incoerência das premissas acima enunciadas. Imagem daqui)
12 March, 2012
A vida em Lisboa hoje
A vida em Lisboa hoje é sobre trânsito e programas da manhã na rádio. É sobre a falta de chuva e a quebra na natalidade. É sobre pais e mães de meia-idade e pequenos reis que fazem natação, judo e ballet. A vida em Lisboa hoje é sobre a necessidade de produtividade e de sermos competitivos. E é também uma guerra entre pessoas que estudaram gestão e outras que não usam gravata porque são criativas. É sobre cortes de cabelo e o que eles significam. Sobre roupas que parecem caras e empregadas domésticas que estudaram astrofísica num país do leste da Europa. É sobre restaurantes de fusão, estar sempre muito ocupado e deixar de fumar. A vida em Lisboa é tirar fotografias com um i-phone e ter um perfil no facebook que mostra a vida que gostávamos de ter. É sobre ter amigos que vivem em Angola e no Rio de Janeiro e secretamente invejá-los. A vida em Lisboa hoje é sobre conhecer gente que ficou sem emprego. E também sobre ir beber caipirinhas na praia em Março. É sobre concertos e exposições e ter uma opinião. É sobre querermos falar de economia. É sobre a falta de piedade e sobre sentirmo-nos aliviados por ainda não termos sido nós. É sobre a lua amarela que nos fins de tarde nos esmaga e os segundos que faltam até que caia sobre nós.
(foto daqui)
(foto daqui)
08 March, 2012
Dos antigos
07 March, 2012
Um ano
Um ano de Menina Rapaz. O que eu me diverti. Palmas para mim e para os quase mil posts que aqui deixei. Recapitulemos:
- Houve caras novas e inspiração no Projecto 4
- Um programa de televisão - que não passa na televisão - e se chama Não Sei Cozinhar
- Desafios como o Subsídio de Felicidade, Pai Natal no Multibanco, Semana Porreira e A Vida em Seis Palavras
- Algumas mixtapes e um curso de Introdução à Música Alternativa
- Mais um Guia Barato para Crianças em Lisboa, uma série Madonna, lindos locais de trabalho, belas casas, anúncios criativos, etc.
Foi um ano a conhecer gente engraçada, a ver outros blogs e a crescer. E, apesar do Menina Rapaz ser meu, quis sempre que fosse também dos meus amigos. Por isso, queria agradecer-lhes igualmente a disponibilidade, generosidade e boa onda com que colaboraram sempre que lhes foi pedido.
Obrigada a vocês por lerem. Everything I do, I do it for you, como diria o Bryan Adams.
17 February, 2012
Quarto de Mudança
Há lá coisa melhor do que acordar e encontrar o simpático destaque que a Sílvia Silva do Raparigas Como Nós fez ao Menina Rapaz no novíssimo Quarto de Mudança? Uau. A blogosfera é isto. Ide ler, por favor. E muito obrigada, Sílvia.
(e a falta que fazia um espaço como o Quarto de Mudança por estes lados? Mas que bem.)
14 February, 2012
Aos corações
O Dia dos Namorados é como as restantes datas festivas: uma desculpa para comer bem. Basta uma tábua de queijos, vinho tinto e uma boa conversa. Porque daqui a uns anos vai ser mesmo isso que interessa: saber se ele - ou ela - é mesmo um bom conversador.
(foto daqui)
(foto daqui)
02 February, 2012
Agradecimento
Eu estou agradecida aos franceses que primeiro juntaram açúcar ao café no século XVII e às pessoas que inventaram as máquinas expresso. Eu estou agradecida pela minha saúde, pela minha educação e por ter podido escolher a profissão que queria. Eu estou agradecida por ter opções. Pela existência de collants opacos e por estar na moda usar óculos. Por existir ben-u-ron, epidural e licença de maternidade. Pela wikipedia e o corrector ortográfico do word. Por ter camisolas feitas de algodão e por poder usar leggings na rua como se fosse roupa a sério, quando sei que aquilo é simplesmente demasiado confortável para ser verdade. Por já não se arrancarem dentes a sangue frio, pela água canalizada, pelas estrelas cadentes em Agosto e pela costa vicentina. Pelos electrodomésticos e pelas pessoas com princípios. Pelas sestas, jantares fora e mensagens escritas. Pelos mergulhos e lençóis lavados. Eu estou agradecida por viver num país onde se preza o lazer e almoçar ainda significa parar uma hora para comer uma refeição quente. Mesmo durante a semana. Eu estou agradecida por essa grande descoberta que é o pão com manteiga. Pela existência de pessoas tão visionárias que acharam que as mulheres deviam votar. Por haver gente que sabe pilotar um avião, construir uma ponte e operar um coração. Pelos documentários da BBC Vida Selvagem e pelos heróis que querem salvar o planeta. Estou agradecida pelas coincidências e pelas coisas que não me contam com intenção de me proteger. Por ter vivido no estrangeiro. Pela música dos Beatles, dos Strokes e todos os êxitos pop dos anos 80. Por já me ter apaixonado à primeira vista. Por saber que a vida dá muitas voltas e que não há mal que sempre dure.
(Foto: Balões na Capadócia, National Geographic)
24 January, 2012
Feliz Aniversário #2
Hoje a pessoa que quis saber porque não vinham peixes na água do banho e que rebaptizou a obra de Victor Hugo, chamando-lhe "O Perfume de Notre-Dame", faz anos. Percebe-se que é uma pessoa extraordinária e por isso queria pedir-vos uma salva de palmas para ela. Muito obrigada.
Nota: Sim, podia deixar aqui uma foto da aniversariante, mas não sou dada a essas coisas. Deixo a Grace Kelly, que estava estupidamente feliz nesta imagem e que também era uma espécie de princesa. (Disney Princesas, com o alto patrocínio do Principado do Mónaco)
30 December, 2011
O Ano Extraordinário
2011 foi um ano extraordinário. O que não quer dizer que tenha sido todo bom. E isso é parte do seu charme: 2011 foi um ano inesperado, um ano que deu luta. Não foi apenas algodão-doce e borboletas a esvoaçar. Houve mudança e, regra geral, eu aprecio muito a mudança. Por isso, que 2012 traga igualmente desafios e aventuras, que seja um ano exigente, mas também cheio de recompensas. Finalmente, obrigada por serem tantos e passarem todos os dias pelo Menina Rapaz. O que eu me diverti por aqui este ano. Este blogue é uma das coisas que me faz feliz. Bom ano a todos!
(Foto: Do filme E.T. só porque sim. E porque não há nada mais importante do que "telefonar para casa")
23 December, 2011
Silêncio
15 December, 2011
Bebidas
10 December, 2011
Mar de Rosas
Gosto muito de perder tempo a ler biografias na wikipédia. Tanto leio a de Leonardo da Vinci como a de D. Maria I. A última que li foi a de Rita Hayworth, que foi casada cinco vezes - uma delas com um príncipe árabe - e se divorciou outras cinco. Que teve duas filhas. Que mudou de nome. Que começou a trabalhar quando ainda era uma criança. Que fez pequenos papeis no cinema sem que ninguém reparasse nela. Que foi despedida e depois conheceu a glória no grande ecrã. Que fez birras, entrou em guerra com os estúdios e se chateou com muita gente. Que era uma magnifica bailarina, mas nunca aprendeu a cantar. Tudo isto para dizer que, à excepção de filósofos alemães como Kant e Hegel ou de gente como Emily Dickinson, a maior parte das pessoas notáveis viveu vidas muito acidentadas. E deram muitas vezes com a cabeça nas paredes. Acho importante saber isto.
(em baixo Rita Hayworth em 1945 com o seu segundo marido, Orson Welles. During the entire period of our marriage he showed no interest in establishing a home. When I suggested purchasing a home, he told me he didn't want the responsibility. Mr. Welles told me he never should have married in the first place; that it interfered with his freedom in his way of life, disse ela depois)
06 December, 2011
Bandas Rock
Estava a ler isto e lembrei-me do Julian Casablancas, que é esse rapaz bem parecido que está na foto aí em baixo (não se vê a cara, mas vocês têm que confiar em mim):
Managers offer all the temptations of Mammon to young rock bands: wealth, fame, and easy sex. There is not a single public voice in the culture to say to the musician: You are an artist, not a money machine. Don't sign the contract. Don´t tour. Record only when you're ready. Go off on your own, like Jimi Hendrix, and live with your guitar until it becomes part of your body. (Camille Paglia)
Managers offer all the temptations of Mammon to young rock bands: wealth, fame, and easy sex. There is not a single public voice in the culture to say to the musician: You are an artist, not a money machine. Don't sign the contract. Don´t tour. Record only when you're ready. Go off on your own, like Jimi Hendrix, and live with your guitar until it becomes part of your body. (Camille Paglia)
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