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20 March, 2012

Insectos

Cá em casa, os insectos são muito populares. (Ilustrações daqui)

19 March, 2012

O pai moderno

De entre as grandes invenções do século XX, uma das mais fascinantes é a do pai moderno. O pai moderno não nasceu exactamente de um desejo masculino de partilha das tarefas domésticas. É antes uma resposta a uma nova conjectura económica que determinou a necessidade das mulheres ingressarem no mercado de trabalho. Assim, inventou-se a creche e, simultaneamente, o pai moderno. Surgiram então as primeiras crianças educadas por um casal o que é, ao contrário do que se diz, uma novidade com apenas algumas décadas. Ao invés de criar uma identidade própria, o pai moderno assimilou em grande parte as características inerentes ao papel da mãe - que é também uma brilhante invenção, mas bastante anterior. Como ela, o pai moderno é afectivo, compreensivo, presente, sabe cozinhar e muda fraldas. Mas, porque esta é ainda uma experiência muito recente, o pai moderno junta a estas características um aspecto lúdico mais marcado, que o distingue do lado chato que é apanágio das mães. Hoje o dia é deles. Por isso, parabéns pais modernos.
(Foto: Em 1938, Carol Lombard ensina James Stewart a ser um pai moderno no filme "Made For Each Other")


16 March, 2012

Natureza

Quem contacta de perto com crianças, tem oportunidade de observar a naturalidade com que se movem entre as fronteiras do "bem" e do "mal" e percebe que há nos meninos saudáveis algo de indomesticado e transgressor. Rousseau teve cinco filhos, contudo não os educou, e daí talvez lhe tenha vindo essa ideia da bondade inata do ser humano, que é corrompida em sociedade. Camille Paglia propôs no século XX o oposto: são precisamente os limites firmes das regras que aprendemos em sociedade que nos impedem de nos regermos pela brutalidade das leis naturais. A sociedade não nos deforma, antes nos civiliza, garantindo nomeadamente a defesa dos fracos face aos mais fortes.
(Ilustração: A natureza vista por outro Rousseau em 1910)

14 March, 2012

O hipster e a linguagem

As palavras são como a roupa: têm modas. Ultimamente, está na moda o vintage, que foi adaptado também ao discurso. Os hipsters lisboetas, que têm o seu quê de etnógrafos, invadiram tascas e jogos da bola em busca de termos castiços. Assim se explica a reentrada em força no vocabulário contemporâneo de sintagmas como “cum catano” (sic) “do caneco” ou “do camandro”, particularmente usados para comentar músicas novas de bandas alternativas no facebook. Um determinado grupo adoptou ainda o naice (aportuguesamento ortográfico de nice). É verdade, a tradução fonética de anglicanismos tornou-se muito popular. A vida não está de resto fácil para os estrangeirismos. Usa-se fixe em detrimento de cool,  teledisco para substituir videoclip ou adopta-se o gostar em vez de curtir, que tem travo brasileiro. Em caso de dúvida, é conversar mais com as nossas avós. Tudo o que sai da boca delas é cool. Desculpem, da cena
(Foto: muito vintage e muito lusitana da nossa Miss Portugal de 1930. Chamava-se Fernanda)




13 March, 2012

As irmãs Brontë

Ora aqui estão as três talentosas irmãs Brontë - Anne, Charlotte, Emily - pintadas em 1834 pelo seu irmão Branwell, que posteriormente retirou a sua figura do retrato (consegue-se ainda discerni-lo no centro do quadro). Para além de terem em comum uma vida artística, também todos morreram de tuberculose ainda jovens, não deixando filhos. Charlotte foi a que viveu mais tempo, morrendo aos 38 anos. 
E agora escolham lá: Jane Eyre ou O Monte dos Vendavais

09 March, 2012

A Tempestade Cerebral

A empresa moderna abraçou a ideia de brainstorming, que parece muito fixe, até porque tem um nome inglês. Na realidade, em termos de organização laboral, o brainstorming tem muito de storm e pouco de brain. A ideia de que várias pessoas de áreas diferentes, partindo de conceitos vagos, podem chegar a uma ideia eficaz, coerente e rentável é - como direi? - um pouco disparatada. As boas ideias requerem concentração, capacidade de abstracção e muita pesquisa. Claro que uma vez formadas beneficiam de inputs de outras pessoas. Mas, lá está, para que haja inputs, é preciso primeiro haver ideias. Com pés e cabeça. Pensadas na tranquilidade da nossa mente. Ideias que não germinam em grupos desorganizados em que, por vezes, as decisões são adiadas. "Silva, gostei da sua ideia. Vamos agora avaliar a sua  exequibilidade ". O que se segue a isto? Uma outra reunião para avaliar a exequibilidade da tal ideia. Confuso e pouco produtivo. É a chamada pescadinha de rabo na boca. Já sabem, digam não ao brainstorming. Abracem esta causa.
(Eu podia deixar aqui uma foto de um "cérebro no meio de uma tempestade", mas para quê fazer isso, quando os Arctic Monkeys já fizeram o trocadilho que se impunha?) 


08 March, 2012

Leis

Portugal foi um país pioneiro na separação entre igrejas e Estado. Somos um estado laico, coisa que não é ainda hoje prática em muitos países pelos quais tanto suspiramos de admiração, como os escandinavos. Esta é uma lei importante, porque representa um esforço democrático no sentido de garantir a pluralidade e isenção do Estado, que deve ter como foco principal a resposta às necessidades da população, e não de determinados grupos. É por isso significativo que, mais de cem anos após a Lei de 1911 e a propósito desta questão dos feriados, se leiam notícias que remetem para uma noção de temporalidade e necessidade diferentes por parte da Igreja Católica. Ou citando: "o processo (de extinção do feriado de 15 de Agosto) está a ser analisado pela Santa Sé e demora o seu tempo". Dada a celeridade com que extinguimos os feriados laicos do 5 de Outubro e o 1º de Dezembro parece que continua a haver dois pesos e duas medidas.
(Foto: a Assembleia da República em 1911, tirada daqui)

06 March, 2012

Batom Vermelho

Uma forma inequívoca de distinguir um homem alternativo* de um homem não-alternativo é perguntar-lhe se gosta de batom vermelho. O homem não-alternativo não aprecia batom de cores vivas, porque dá um ar vulgar, ao contrário das capas da Maxmen ou cuecas fio-dental que considera sexy e de bom gosto. O homem alternativo, por seu lado, é suficientemente criativo e moderno para tolerar o batom vermelho. As razões para esta preferência são, em primeiro lugar, o carácter vintage dessa cor, que ele associa aos filmes noir dos anos 40 que passam na Cinemateca. Em segundo lugar, o homem alternativo é um defensor da liberdade de expressão do indivíduo enquanto ser único e da quebra das regras sociais. O facto da cor do batom das suas amigas ser razão para suscitar olhares horrorizados dos não- alternativos seria razão por si só para ele o apreciar. Finalmente, o homem alternativo admira coragem das suas amigas que escolhem cores de batom totalmente desadequadas ao seu tom de pele, provocando um efeito propositadamente inestético. Estas raparigas recebem pontos extra por terem muita “personalidade”. São também estas que os homens alternativos calculam que usam roupa interior até ao umbigo, que acham estranhamente apelativa.
Foto: Life Magazine, 1945
(*Não perguntem o que é um "homem-alternativo". Acabei de inventar isto)

01 March, 2012

Apologia dos erros ortográficos

Os erros ortográficos revelam três características sobre quem os pratica. A primeira – e a mais evidente – é a convicção de que o conteúdo prevalece sobre a forma. O importante é passar a mensagem e a mensagem chega, apesar da falha. Em segundo lugar, os erros indicam arrogância porque o sujeito, sabendo em muitos casos que neles incorre, não toma precauções para os evitar. Permite-se este excesso de confiança porque subentende a existência de um agente secundário cuja função é corrigi-lo. O erro será emendado por alguém que se ocupa dos detalhes, das coisas pequenas. Assim, só quem desconfia dos outros nunca se permite errar. Em terceiro lugar, o erro ortográfico traduz rebeldia, insubmissão. Os que o cometem têm dificuldade em conter-se nas regras e demonstram desdém pelas mais elementares leis. Falta ainda dizer que um bom erro ortográfico pode ainda ser uma manifestação de criatividade e sentido de humor. E o que é um "bom erro ortográfico"? Isso não sei, mas gosto disto. Viva o erro ortográfico.

29 February, 2012

A nossa História

Coisas estupendas que se aprendem a ler a História de Portugal:
1. Em períodos de abundância financeira – ou abundância de especiarias ou abundância de ouro – Portugal tende a investir essa riqueza no reforço do aparelho do estado e não propriamente a fazer coisas aborrecidas como, por exemplo, modernizar a indústria ou apostar na produção interna. O lado positivo desta política é que temos monumentos bonitos e muitos cargos janotas na administração pública.
2. Somos um povo de fé, embora não propriamente religiosa. Por exemplo, apesar do desenlace de inúmeros episódios históricos, continuamos convencidos em pleno século XXI que espanhóis, ingleses, franceses e alemães têm o nosso interesse nacional como prioridade e nos vão ajudar. Toda politica pós-Descobrimentos e tratados anexos é um bom exemplo de como a nossa economia "beneficiou" destas alianças.
3. Fomos espectaculares a dar emprego a arquitectos e artistas estrangeiros nos últimos séculos.
4. Em Portugal, todos sabemos que quando as coisas ficam mesmo complicadas, aparece sempre um homem brilhante para nos salvar. Regra geral o homem brilhante tem que se impor pela força. Regra geral o homem brilhante acaba por se tornar um tirano. 
5. O modelo de uma instituição de serviço público de funcionamento exemplar é a Inquisição. Aquilo é que foi organização, eficácia, gestão de orçamento e cumprimento dos objectivos.
6. Desde o final do século XIX que se nota uma constância nos apelidos que aparecem na vida pública portuguesa. Temos uma espécie de democracia aristocrática porque, às vezes, parece que os cargos  passam de pai para filho.
7. Já sei quem foi o Almirante Reis
(Em baixo: gravura do séc. XIX  de D. Afonso Henriques, um dos autores desta ideia genial que é Portugal)





28 February, 2012

Da ética

Eu e os meus amigos costumamos dizer na brincadeira que somos demasiado honestos para subir na vida. Demasiado bem-comportados, certinhos, obedientes, cheios de princípios nobres que aprendemos de tantos anos a ver os finais das séries americanas dos anos 80, onde os bons ganhavam sempre. Mas ontem encontrei este artigo sobre um estudo que conclui que os "ricos" têm mais propensão para roubar, mentir, fazer batota e ter comportamentos menos éticos no trabalho. Ui. Moralismos à parte, a questão é saber quem se safa melhor: os que seguem as regras ou os que as dobram para atingir os seus fins? (Pensem com calma. Isto é um blog levezinho.)
(Quadro: The Moneychanger and his Wife de Marinus van Reymerswale, 1539)

26 February, 2012

Dos atrasos históricos

Os preços das mercadorias compradas em Antuérpia aumentaram muito, aumentando igualmente a quantidade da importação. Os negócios da Índia fizeram enriquecer muita gente, e portanto o consumo subia. Para o satisfazer, importava-se tudo. (...) Não há, nos cem anos que durou o monopólio oriental, notícia de qualquer fabricação nova introduzida no País. (...) Ao terminar o século XVI, a produção artesanal portuguesa não diferia muito da do século XIII. 
Pois.

24 February, 2012

Blogger on a budget

Eu vinha aqui pôr mais qualquer coisa do José Hermano Saraiva, mas vai ter de ficar para outro dia. Não desistam de mim. Mas entretanto andei a passear pela blogosfera (alguém tem que arranjar uma palavra melhor para isto) e com tanta roupa, tanta viagem, tanto blush, tanto creme, tanto passatempo estou a chegar à conclusão que não tenho saldo bancário que me permita andar por aqui. 
(E agora que isto está dito, tomem um refresco e ouçam os Backstreet Boys, rapazes da minha idade. Afinal é sexta à tarde. Se há coisa de que me arrependo é de não lhes ter dado o devido valor nos anos 90. Neste vídeo, por exemplo, toda a coreografia deles com as cadeiras e os chapéus é um must da cultura pop. E o cabelo do Nick Carter também. E por esta é que vocês não esperavam).

23 February, 2012

Poema

Rebelde como Dorothy Parker.

Some men tear your heart in two,
Some men flirt and flatter,
Some men never look at you,
And that clears up the matter.
(Life, 8 April 1926)

Vida pessoal

21 February, 2012

Mapa da música

Para saber onde fica o Heartbreak Hotel, Alphabet Street ou a Road to Nowhere. Mais aqui.

12 February, 2012

All About Menina Rapaz

Podem seguir o Menina Rapaz no Facebook ou no Bloglovin'. O twitter é uma coisa que não me assiste. Mas há agora também uma página novinha em folha no Pinterest - que é das coisas mais viciantes que por aí anda. Vamos ver como corre. E amanhã o Menina Rapaz será também uma espécie de programa de televisão. Verdade.


11 February, 2012

Ukulele

Aqui está Joe Strummer, vocalista dos The ClashI bought a ukelele. No kidding. I saved some money, £1.99 I think, and bought it down Shaftesbury Avenue. Then the guy I was busking with taught me to play Johnny Be Good. [...] I was on my own for the first time with this ukelele and Johnny Be Good. And that's how I started, disse ele.

09 February, 2012

Medo Racional

Só as pessoas com uma imaginação fértil têm medo do escuro, ouvi alguém dizer. E a verdade é que essa ideia é reconfortante. Saber que o meu medo do escuro é, na realidade, uma predisposição natural para a criatividade. E também tenho medo de andar de avião, mas isso deve ser porque lá em cima não controlamos grande coisa. Medo do escuro, medo de andar de avião. A explicação racional dos nossos medos é uma forma de os domesticarmos. Falou uma verdadeira controladora nata.
(Imagens do livro Um Pesadelo no Meu Armário de Mercer Mayer)

08 February, 2012

Ligações Perdidas

É um lugar comum falar daquela secção do Blitz nos anos 80 chamada Pregões e Declarações, onde se ensaiava o que seriam as redes sociais do futuro. Anúncios como "vi-te no comboio das 8:23 na linha de Sintra, estavas vestida de preto e usavas óculos. Contacta-me" eram comuns (assim como mensagens de amor dirigidas à Wendy James, nas semanas que se seguiram à passagem dos Transvision Vamp por Portugal. Mas, a Wendy James merece o seu próprio post...). Achávamos sempre que a tal rapariga vestida de preto seriamos nós. Exceptuando o facto de nunca andarmos de comboio. Lembrei-me disto a propósito dos desenhos aí em baixo que ilustram anúncios semelhantes da Craiglist. São feitos por Sophie Blackhall e parece que estão publicados num livro.


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