04 January, 2012

A Arqueolojista

Lisboa no seu melhor através da lente d'A Arqueolojista, que descobre lojas tradicionais e as fotografa para o seu blogue cheio de pinta.
(em baixo: fotos variadas tiradas do site)

03 January, 2012

Local de Trabalho #15

Escritório desenhado por Elding Oscarson para a No Picnic, firma sueca de design.

Maria #2

Muito se fala da futilidade da sociedade actual, de como só ligamos à aparência e ao aspecto exterior, da pressão moderna para as mulheres serem atraentes e magras. A minha pergunta é: olhando historicamente para as representações religiosas, alguma vez viram uma Nossa Senhora feia? Pois. A estética tem muito que se lhe diga.
(Em baixo, uma Virgem Maria top-model em Madonna in the Rose Bower (1448) de Stefan Lochner).

Maria

Em jeito de provocação, judeus e muçulmanos gostam por vezes de duvidar do carácter monoteísta do cristianismo, por causa da questão da Santíssima Trindade. Porque se Deus é um, então como pode ser três? O tema torna-se mais evidente quando se fala do catolicismo, que se desdobra em santos e onde o culto mariano assume enorme relevância. Grosseiramente, esta estrutura quase lembra a dos panteões pagãos, onde um deus superior presidia a uma hierarquia de divindades com atributos diversos.
E, ainda a propósito da importância de Maria, é interessante notar que a pluralidade de Nossas Senhoras existentes em Portugal (e noutros países latinos) é, no fundo, uma mera substituição formal da devoção a divindades femininas pagãs pré-existentes nesses locais. The Book of Genesis is a male declaration of independence from the ancient mother-cults, escreve Camille Paglia. Pelos vistos não totalmente bem-sucedida.
(Em baixo uma lindíssima Anunciação pintada no século XV por Robert Campin).

Feito à Mão

Inspiração via Rennes.

02 January, 2012

Projecto 4 - João Pedro da Costa

A coisa gira de ter um blogue é poder (também) dar espaço a pessoas que admiro. Assim, todas as segundas-feiras o Menina Rapaz abre a porta e desafia alguém a escolher 4 coisas que o inspiram.

O convidado de hoje é o João Pedro da Costa, que o Facebook me diz ser bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. É verdade - todos sabemos que as redes sociais não mentem - está a fazer um doutoramento que mistura novas tecnologias e videoclips. Mas, antes disso, foi meu colega na MTV onde fazíamos o programa mais fixe de sempre: o Brand:New, precisamente sobre novos vídeos musicais. É preciso dizer que, nesses tempos, andámos muito à tareia e que foi no meio dessa picardia que aprendi a gostar de música "esquisita", a.k.a. alternativa. Como esta ou esta, que o João garantia sempre, com o seu sotaque tripeiro, serem "ma-ra-vi-lho-sas". E eram mesmo. Ainda escreve sobre música e, por isso, recomendo-vos vivamente o blogue dele. E sim, gostei de todos os Projecto 4. Mas este é muito especial. Vejam porquê.



























1. Criatividade
O termo não fazia parte do léxico da Grécia Antiga (cujos filósofos postulavam a descoberta através da imitação); o Cristianismo elegeu-o como produto da inspiração divina; o Renascimento como fruto do talento individual; o Iluminismo como um filho da Imaginação; o Romantismo como manifestação do génio egocêntrico; Edgar Allen Poe como o resultado de uma percentagem considerável de transpiração; e o séc. XX (para o logro de inúmeros profissionais de marketing) como um fenómeno supostamente passível de ser analisado, quantificado e, mais grave ainda, metodicamente emulado. Para mim, a criatividade continua a ser o maior dos mistérios: a indelével diferença que separa o dois da soma de duas unidades, o “golpe de asa” de que falava Mário-Sá Carneiro, o quantum leap que teima em fintar a ciência, apesar de os seus discípulos dela se alimentarem constantemente. Mas a criatividade é, sobretudo, e pelo menos para mim, a genuína irmandade que me une à espécie humana. Das elipses gravitacionais de Kepler a um quadro de Matisse, do esforço que inúmeras famílias fazem para conseguir pagar as contas ao fim do mês àquele ingrediente subtil e secreto que faz das saladas da minha mãe a mais misteriosa das iguarias – também eu me sei humano devido a este ímpeto comum que nos faz, por brevíssimos momentos, levantar os pés da terra. A criatividade é o inverso da gravidade. Até porque, contrariamente a esta, não se deixa reger por nenhuma lei.












2. Abdução
Se partir do particular para o geral (indução) ou do geral para o particular (dedução) são conceitos que aprendemos a dominar e a usar desde a mais tenra idade, a abdução é outra fruta bem mais densa. Charles Sanders Pierce definiu-a com um tipo nebuloso de inferência: abduzir A a partir de B, implica determinar que A é suficiente (mas não imprescindível) para que B aconteça. No fundo, a abdução, apesar da sua ampla utilização em áreas que vão do cálculo probabilístico à inteligência artificial, nada mais é do que a tentativa de incluir a criatividade no domínio da lógica. O esforço é louvável, mas os resultados analíticos não me convencem por aí além, na medida em que qualquer definição filosófica da abdução não consegue resgatar o termo do seu estatuto de arte da adivinhação. E é precisamente esta intangibilidade que torna tão fascinante a capacidade abdutiva de uma vasta galeria de personagens que vai do Sherlock Holmes ao Dr. House, passando por figuras tão marcantes da minha adolescência como a Miss Marple, o Jules Maigret ou o insuperável Isidro Parodi.












3. Pensamento lateral
Se alguma vez participaram numa reunião cuja agenda de trabalho incluía o título pomposo de brainstorming, então já sentiram na pele os crimes tenebrosos que se cometem em nome do pensamento lateral. O termo (lateral thinking), apesar de ter as costas largas, foi cunhado por um cromo chamado Cherry Thomas (Tó Cereja para os amigos) e é uma espécie de abdução de colarinho branco, uma fórmula de cabelo desgrenhado que emana uma fragrância de ginásio e Old Spice com um travo a menta e nicotina, um conceito que tanto alterna tailleurs da Gucci com vestidos da Desigual como sapatos Oxford com sapatilhas da Nike, e que pode ser encontrado um pouco por todos os escritórios onde se aglomeram indivíduos de nariz mais ou menos empinado que se movimentam no famigerado “mercado de trabalho”. Enquanto que a abdução é um logro disfarçado de epistemologia, o pensamento lateral é bem mais modesto e, na maioria dos casos, não passa de um instrumento eficaz utilizado pelos superiores hierárquicos para se apropriarem da criatividade subalterna e alheia.
















4. Estratégias oblíquas
As Estratégias Oblíquas (Oblique Strategies) são um baralho de cartas criado por Brian Eno e Peter Schmidt publicado pela primeira vez em 1975. Tomei conhecimento do mesmo em 2005 através da dica de um bacano chamado Frederico Sacramento e sou há 5 anos o legítimo proprietário de um exemplar que me foi gentilmente oferecido por outro encanto de pessoa que se dá pelo nome de Giada Monachino (vale sempre a pena ter amigos). Cada carta das Estratégias Oblíquas possui uma frase com uma indicação mais ou menos críptica ou ambígua e a ideia consiste em tirar à sorte uma carta do baralho sempre que nos encontramos perante um dilema ou uma dificuldade para depois aplicar o conselho da carta escolhida na sua resolução. No fundo, as Estratégias Oblíquas pretendem ser, à semelhança da abdução e do pensamento lateral, uma ferramenta para despoletar ou desbloquear um processo criativo. No entanto, este baralho de cartas possui, pela minha modesta experiência, duas grandes vantagens em relação aos conceitos da abdução e do pensamento lateral: por um lado, é tangível («o tacto é o mais nobre dos sentidos», Vergílio Ferreira dixit); e, por outro, funciona mesmo. Querem uma prova? Quando há minutos me sentei para escrever este Projecto 4 e não fazia a mínima ideia de como iria abordar o tema que entretanto tinha escolhido, resolvi pegar nas minhas Estratégias Oblíquas e tirar uma carta à sorte, no verso da qual se podia ler:

























Foi o que fiz, até porque, como com certeza já terão percebido, não existe forma mais eficaz de enfatizarmos as nossas próprias falhas do que correr o risco de criar ou de fazer algo, que, não por acaso, em Grego antigo (poiein), também significa escrever.

01 January, 2012

Menina Rapaz - Corações Partidos

Há quinze anos uma grande amiga minha (olá Bara!) ofereceu-me, meio a sério meio a brincar, um best of das The Shirelles, uma das grandes girls bands dos anos 50 e 60 (maiores que as The Supremes, digo eu). É daqueles discos que ouço vezes sem conta e foi ponto de partida para este mix. Outro ponto de partida foi a música Heartbreaker (1982) da Dionne Warwick, composta por Barry Maurice e Robin Gibb dos Bee Gees. As pessoas que já tiveram a sorte de estar apaixonadas e as que, ainda mais afortunadas, já tiveram a sorte de ter um coração partido, sabem que tudo o que diz esta música é verdade. Linha a linha. Por isso cá vai, uma mixtape retro para corações partidos.



Alinhamento Menina Rapaz - Corações Partidos

Dionne Warwick - Heartbreaker
The Shirelles - Will You Still Love Me Tomorrow
The Platters - Twillight Time
The Chantels - Maybe
The Drifters - There Goes My Baby
The Chiffons - One Fine Day
The Supremes - Where Did Our Love Go?
The Ronettes - Be My Baby
The Delfonics - Didn't I Blow Your Mind This Time
The Marvelettes - Mr. Postman
Patsy Cline - Walkin' After Midnight
Johnny Cash - Tear Stained Letter
Buddy Holly - Love Is Strange
The Skyliners - Since I Don't Have You

30 December, 2011

O Ano Extraordinário

2011 foi um ano extraordinário. O que não quer dizer que tenha sido todo bom. E isso é parte do seu charme: 2011 foi um ano inesperado, um ano que deu luta. Não foi apenas algodão-doce e borboletas a esvoaçar. Houve mudança e, regra geral, eu aprecio muito a mudança. Por isso, que 2012 traga igualmente desafios e aventuras, que seja um ano exigente, mas também cheio de recompensas. Finalmente, obrigada por serem tantos e passarem todos os dias pelo Menina Rapaz. O que eu me diverti por aqui este ano. Este blogue é uma das coisas que me faz feliz. Bom ano a todos!
(Foto: Do filme E.T. só porque sim. E porque não há nada mais importante do que "telefonar para casa")

29 December, 2011

Passagem de Ano

Esta foi a festa de beneficiência que a actriz Bette Davis deu em 1938 a favor de cães abandonados. Possa a vossa passagem do ano ser assim divertida.

28 December, 2011

Levitação

O trabalho da japonesa Natsumi Hayashi. Para seguirem o seu diário, cliquem aqui.

Colisão de Galáxias

Já aqui tinha deixado fotos espectaculares do universo. A fotografia aí em baixo mostra a colisão de duas galáxias. Não consigo explicar o fenómeno, mas a Nasa sabe dizer como tudo se passou.
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