Lookbook de Outono da Aubin&Willis. (Descoberto aqui).
15 August, 2012
Rotina
Uma das grandes surpresas da idade adulta foi ter-me descoberto tão conservadora. Eu pensava-me aventureira e liberal, mas na verdade não sou nada disso. Por exemplo, eu adoro rotina. Gosto tanto da rotina, de fazer sempre a mesma coisa, que as férias me parecem uma interrupção desnecessária na doçura do rame-rame quotidiano (bolas, que bonito). Eu gosto de ter os mesmos amigos há anos, de frequentar os mesmos sítios, de ouvir as mesmas músicas, de ler os mesmos livros. Daí que ande outra vez a ler a colectânea de contos Laços de Família da Clarice Lispector. Eu sei, que aborrecido, já escrevi sobre ela centenas de vezes. Mas, "Amor" é dos mais belos textos que alguma vez li e volto sempre a ele. É uma rotina, lá está. Nele, Clarice escreve: Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Desde então sempre que penso em crianças repito estes três adjectivos - bons, verdadeiros e sumarentos. E mais à frente outra frase: Ah! era mais fácil ser santo que uma pessoa!É isso mesmo. Tão certeiro que podia ser um epitáfio.
14 August, 2012
12 August, 2012
11 August, 2012
Jogos Olímpicos
06 August, 2012
Depois da piscina
Pistolas de água
Isto das férias tem alguma coisa que se lhe diga. Porque houve um tempo em que as férias não existiam: as pessoas eram o que fazíam. A sua identidade era a sua profissão e a sua profissão media-se em termos da sua utilidade social: um carpinteiro era um carpinteiro, um elemento essencial na sua comunidade. No pós-revolução industrial isso mudou (há quem lhe tivesse chamado alienação). Deixámos de ser essa peça fundamental para uma comunidade, já não nos preenchíamos totalmente na nossa profissão e ficou na moda dizer que, no trabalho, ninguém é insubstituível. O individuo perdeu parte da sua identidade e para se voltar a encontrar, reclamou espaço para si. Criou-se então a necessidade do lazer. E as férias, claro. (As minhas tiveram até agora abrunhos, jogos olímpicos e pistolas de água)
01 August, 2012
30 July, 2012
Leitura de praia
Emma Bovary c'est moi, disse Gustave Flaubert em 1857 para defender a sua obra contra as acusações de imoralidade nos tribunais franceses. Nem todos seremos Madame Bovary, mas há muito de actual na mulher entediada, sonhadora e ambiciosa que Flaubert imaginou. Os mais afortunados de entre nós vão saber reconhecer a teia de mentiras que Emma tece e a forma leviana com que ela administra a sua vida financeira. Podíamos ser nós e, às vezes, somos mesmo nós.
Encontrado na biblioteca da minha avó que simplesmente não consigo imaginar a ler este livro - ou então a fazê-lo meio distraída, mas abanando constantemente a cabeça em sinal de negação. Excelente para ler entre dois mergulhos e uma bola de Berlim.
(Em baixo, a edição original de Madame Bovary, 1857)
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