29 November, 2011

É mais ou menos isto

Introdução à Música Alternativa - Lição 03

Noutro dia, em conversa com o director de uma rádio nacional muito ouvida (olha para mim armada em importante), ele explicava o desafio que é passar música cantada em português. Nos testes que fazem periodicamente para avaliar as hipóteses de sucesso de uma faixa, a maioria dos ouvintes rejeita os temas quando percebe que são em português. Achei estranho, porque comigo passa-se o oposto: quando cantam na nossa língua ouço com o dobro da atenção, porque a letra (boa ou má) me provoca uma reacção imediata. De qualquer forma, isto vem no seguimento de outra longa conversa que tinha de vez em quando com colegas de trabalho e em que chegávamos inevitavelmente à conclusão que muita música nacional é tão "de nicho" que se torna, só por isso, música alternativa. E agora aqui ficam três temas em português (e outro que também é nacional, mas cantado em inglês).

 

Lilith

Em Caim, José Saramago recupera a figura de Lilith fazendo-a mulher de Caim quando este foge para a terra de Nod, depois de ter morto Abel. Em termos religiosos a figura de Lilith é contraditória e misteriosa. Por exemplo, de acordo com antigas tradições judaicas, Lilith foi a primeira mulher de Adão, criada ao mesmo tempo e da mesma forma que o homem (ao contrário de Eva, cuja criação é posterior à de Adão e que surge da tal costela). No século XIII, o Rabi Isaac ben Jacob ha-Cohen defende que Lilith abandona Adão e o Jardim do Éden por se recusar submeter-se a ele. Podem ler mais aqui. (Em baixo Lilith imaginada pelo pintor John Collier)

28 November, 2011

Pessoas #2

Não sei bem quem ele é, mas acho graça às fotos de Theo Gosselin.

Ms. Monroe

Keep Calm and Carry On

O poster Keep Calm and Carry On foi inicialmente concebido em 1939 pelo Ministério da Informação britânico, para  tranquilizar a população no início da Segunda Grande Guerra. Na altura, acabou por ter uma distribuição muito limitada, sendo redescoberto no ano 2000 (fotos aqui)

Projecto 4 - Teresa Tavares

A coisa gira de ter um blog é poder (também) dar espaço a pessoas que admiro. Assim, todas as segundas-feiras o Menina Rapaz abre a porta e desafia alguém a escolher 4 coisas que o inspiram.

A convidada de hoje é a Teresa Tavares, actriz. Faz televisão e teatro, mas actualmente podem vê-la também no filme português do ano: Sangue do Meu Sangue de João Canijo, que recebeu o Grande Prémio do Júri no Festival Caminhos do Cinema Português, bem como o Prémio da Crítica no Festival de San Sebastian. É o resultado de um processo de trabalho muito intenso e absolutamente apaixonante que me fez reflectir muito sobre o cinema, sobre as pessoas e, enfim, sobre 'isto de ser actriz'. Foi também o meu primeiro trabalho em cinema com o João Canijo, diz a Teresa. E agora vejam as lindas imagens que ela escolheu para ilustrar as quatro coisas que a inspiram. Mas que bem.

























1. Os Passos em Volta, do Herberto Helder
2. Viajar
3. O Pierrot le Fou, do Godard


4. O Mar

27 November, 2011

Cinco Livros de Natal

Aqui estão cinco belos livros infantis de Natal:

01 - O Pai Natal de Raymond Briggs - É um clássico, lia-o quando era criança. Um Pai Natal rabugento e pouco tradicional. Há tradução em português, embora tal quase não seja necessário porque o livro praticamente não tem texto (imagem em baixo).
02 - O Cavaleiro da Dinamarca de Sophia de Mello Breyner Andresen - Excepcionalmente bem escrito, cheio de sub-histórias, e com um final maravilhoso.
03 - Peter and Lotta's Christmas de Elsa Beskow - A história relembra antigas tradições escandinavas (como "a cabra do Natal") na Suécia, cheia de neve, de há cem anos. E, depois de ver as ilustrações, as decorações de natal do IKEA já não parecem tão originais.
04 - The Polar Express de Chris Van Allsburg
05 - Les Bons Amis de Paul François - Não tem Pai Natal, nem referências literais à quadra natalícia. É um conto circular sobre a amizade. Os desenhos são de Gerda Muller.

Com luzes

É perfeita a mesa deste casamento.

26 November, 2011

A Musa

Esta é Pattie Boyd, para quem George Harrison, seu primeiro marido, escreveu Something (The Beatles) e Eric Clapton, segundo marido, escreveu Wonderful Tonight.

25 November, 2011

Local de Trabalho #14

A florista em Nova Iorque. Imagens aqui e aqui.

Bento, Baruch, Benedictus

Quando decidi estudar Ciências da Religião, muitos pensaram que eu tinha visto “a luz” ou que me queria tornar freira. Mas, na realidade, não existe nada menos espiritual que estudar religião. Estudá-la é reconhecer que é impossível compreender, tanto do ponto de vista das ciências sociais, como das ciências exactas, os séculos que nos antecederam. Até à Idade Moderna toda a produção artística, filosófica e literária ocidental se posicionava dentro do paradigma religioso. E, na Idade Moderna, a fragmentação dos campos de conhecimento e o avanço das ciências naturais faz-se precisamente contra esse mesmo paradigma. A religião era (é?) o Outro contra o qual as áreas científicas e artísticas tinham que se afirmar.
Tudo isto a propósito de Espinoza, um homem notável, descendente de uma família de judeus sefarditas da Vidigueira e que tinha três nome próprios: era Bento em português, Baruch em hebraico, Benedictus em latim. Como gostaria que lhe chamassem no dia a dia?
Em baixo, a cópia da capa do seu Tratado Teológico-Politico publicado anonimamente em 1670, onde expõe ideias revolucionárias sobre a religião. Nele rejeita, por exemplo, a hipótese que Moisés tenha sido o autor dos primeiros cinco livros da Bíblia. Defende que estes eram resultado da compilação do trabalho de vários autores, pondo em causa a ideia de “revelação” do texto sagrado. Mas Espinoza vai mais longe criticando todas as formas de religião organizada e defendendo a análise da mesma pela razão e não apenas pela fé. Muito à frente.

24 November, 2011

Allandale House

Imagens daqui

O nome mais musical

Não sei se haverá nome mais musical que o meu: Joana. Conheço dezenas de músicas nacionais e estrangeiras com Joanas ao barulho e, geralmente, quando alguém se aproxima de mim vem a cantarolar qualquer coisa como "Joana, come a papa" ou "Joana, pensar que estivemos tão perto". Por exemplo, "Joaninha voa-voa" é uma expressão que ouço todos os dias. Até pessoas que mal me conhecem não resistem a repetir algo do género quando digo o meu nome. Mas as expressões davam outro post. Por agora aqui ficam, de Dylan a Marco Paulo, cinco músicas com Joanas.

Apontamentos #2

Este colar.

Este calendário.

Este anúncio.


Esta casa.

O penteado de Giovanna

Este é o famoso Retrato de Giovanna Tornabuoni pintado em 1488 pelo artista renascentista Domenico Ghirlandaio. Giovanna pertencia a uma das melhores famílias florentinas e morreu durante o parto no ano em que o quadro foi executado. Aqui aparece idealizada como ícone de beleza e ricamente vestida. Ars utinam mores animumque effigere posses pulchrior in terris nulla tabella foret, lê-se atrás em latim (em traços gerais: se a arte pudesse retratar o espírito, não haveria quadro mais belo na Terra). Ghirlandaio pintou-a noutras ocasiões sempre ostentando este lindo penteado.
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